A Liberdade de Ser

Eu desconfio que aceitação seja o maior desejo humano. Saber-se conhecido e, ainda assim, amado é o que todo mundo almeja. Também é verdade que por isso tanta gente se perde pela vida. Se perde quem segue buscando aceitação a qualquer preço, abrindo mão de seus valores, fazendo concessões onerosas que violentam o que há de essencial em si, quem perde a oportunidade de saber quem é e vai sendo cada hora o que as circunstâncias, os outros e própria carência exigem.

A foto que escolhi para ilustrar o texto eu vi no Face com a seguinte frase: “Temos a liberdade para ir aonde quisermos e ser o que somos” – Fernão Capelo.  A liberdade é fruto de investimento e é íntima. Investimento no sentido de estar cada vez menos dependente do olhar do outro para definir quem se é, o que se quer e com quem se deseja realmente estar.

Estou falando de autoconhecimento. Quem investe neste processo é alguém que resolveu pagar o preço de viver uma aventura que vai requerer alguma dose de coragem. Porém, terá mais clareza sobre sua própria identidade e, portanto, fará uma caminhada pela vida com autonomia para ser quem é.

Autonomia para ser, para fazer as próprias escolhas e para decidir rumos permite que se viva menos pressionado pelas expectativas alheias, por ditames sociais irracionais e por manipulações sentimentais de quaisquer pessoas, mesmos as mais significativas. Porém, não nos garante, a meu ver, um tipo de felicidade que é fundamental ao ser humano. Nós todos desejamos, antes de tudo, ser aceitos. Aceitos de verdade. Não se trata da aceitação que define pré-requisitos formais que uma vez preenchidos, carimba-se o aceite; como no caso do acesso a um clube seleto ou uma religião, um segmento político ou algo do gênero.

A aceitação que desejamos é aquela que nos faz sentir: o calor do acolhimento, felicidade sentimento de plenitude. É a que nos faz acordar com disposição para vida e nos dá uma confortante e imprescindível sensação de pertencimento. É a que libera saúde. É a aceitação advinda daqueles que na medida em que conhecem nossas virtudes, fragilidade e limites, continuam nos mantendo próximos a si, livremente, decididamente, generosamente, sem exigir que sejamos diferentes do que se somos.

Não é banal encontrar este tipo de experiência, sobretudo, em nossos dias onde somos bombardeados a todo instante por tendências grupais que ditam modismos. Pela indústria ávida por lucro, por meios de comunicação a serviço da economia, do estado, etc.

Quando se encontram pessoas que olham em nossos olhos com sinceridade e interesse, captam a sintonia no olhar para a vida através de uma mesma lente, estão dispostas a abrir seu espírito para nos receber e decidem contar com a nossa companhia sem reservas e sem condições, deve-se considerar que se encontrou um tesouro que precisa ser cuidado e mantido. O nome disso é amizade.

É uma pena que amizade seja uma palavra que tenha caído na superficialidade. Como aconteceu também com a palavra amor. São palavras que representam coisas tão próximas que poderiam ser até fundidas numa palavra só. É fácil e banal dizer que alguém é um amigo ou que se ama alguém, quando na verdade nem uma das duas coisas está acontecendo. Mas ainda bem que as coisas percebidas pela alma não precisam de palavras que as definam, precisam apenas ser reconhecidas.

Com a aceitação acontece assim. A gente reconhece com a alma quem a está nos oferecendo. Pouco se precisa dizer, ainda que se queira também ouvir, dada a grandiosidade do fato.

A aceitação nos torna pertencentes a e comprometidos com. É do que mais nossa humanidade precisa: ser aceita incondicionalmente. A nossa humanidade quer estabelecer vínculos que nos façam sentir pertencendo. Isto se torna motivação para estar comprometido com a reciprocidade. Isto nos dá a sensação de ter encontrado nosso lugar no mundo. Forte, não acha? Desejo essa experiência a todos vocês.

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