Entenda suas Emoções e Desligue as Historinhas da Mente

Domino minhas emoções ou as libero?

Nós fomos condicionados a sempre vincular a emoções a uma narrativa. Uma emoção surge e, naturalmente, surge a necessidade de se dar uma explicação para ela. Essa explicação é a narrativa. Pode ser de vítima, de sofrimento, de pessoa acuada.

Alguém te ofende, te agride e você fica com raiva. Se você reprime a emoção tende a visitar na mente aquela situação incessantemente. Você fixa aquela emoção vinculada a história que a gerou em si, no corpo e na mente, e, sofre. Se você se permitisse sentir a raiva daquele momento e conseguisse expressá-la, como: “eu não gosto do seu tom. Não quero entrar nessa discussão, e encerra sua participação ali, naquela cena, a possibilidade é de que a emoção passasse porque você a deixou ir. Se você já estivesse em um trabalho pessoal de autoconhecimento, talvez nem se sentiria ofendido. Mas, calma! Não se recrimine. Tudo a seu tempo. Não tem nada de errado em expressar a sua raiva ou qualquer outra emoção. O que eu quero mostrar é que é possível não continuar fazendo das emoções um problema para você.

O problema com as emoções surge por causa da intelectualização delas.

Emoção é energia. A emoção é uma agitação. A emoção nunca é em si mesma boa ou ruim.

Quando vinculamos a uma história e reforçamos em nossos pensamentos as narrativas, vamos fixar essa emoção em nós, vamos ficar envolvidos num ciclo negativo e paralisador.

Nós aprendemos a sentir uma emoção e necessariamente irmos procurar a razão dela para a justificarmos, com isso nos mantemos nelas. Mas esse é um caminho que pode fazer a vida se apresentar com menor qualidade em si mesma.

Até uma emoção tida como boa, se está vinculada a um ato passado e alguém se fixa nela, pode se tornar desconfortável e dolorosa porque é como se nada de novo pudesse surgir para trazer aquela emoção para um momento presente em outras circunstâncias. Ela também pode aprisionar.

A tristeza, por exemplo, é uma emoção que surge e pode ter vários motivos. Se ela vem, então, permita-se senti-la. Se quiser chorar, chore. As lágrimas tem consigo o poder de limpar nosso interior. Não se obrigue a encontrar o motivo do choro. Se for necessário ele se manifestará espontaneamente. Manifestando-se ou não, sinta. Chore e deixe que a tristeza se vá. Não ocupe a sua mente buscando as justificativas para a tristeza. Isso vai te manter na dor e te levar ao sofrimento. A tristeza pode ser proveniente de um esgotamento, pode ser fruto do fato da pessoa ter se descuidado de si mesma e não ter se proporcionado descanso.

Nós só entramos indefinidamente numa emoção se fizermos um vínculo com alguma história. Através do vínculo você tende a expressar verbalmente a história e dizer: “como eu sou infeliz, ninguém me ama, ninguém me entende”, ou “estou furiosa com aquela pessoa, ela é abusada, grosseira, eu deveria ter dito isso ou feito aquilo… etc”. Pensamentos e palavras reforçam emoções. Perceba, é isso que você quer? Você quer ficar preso a elas?

Uma emoção como a raiva, muitas vezes, quando experimentada sem carregar a narrativa pode ser a energia necessária para uma ação que você precisa praticar.

A tristeza pode ser apenas um sinal de que você precisa descansar.

O que acontece quando percebemos uma emoção e não nos fixamos em pensamentos que as validem? Quando não as vinculamos narrativas, apenas observamos, sentimos?

Acontece que percebemos melhor nosso corpo e vamos utilizar a energia para um propósito. Quando digo propósito não estou categorizando isso como algo épico, virtuoso ou coisa parecida.

Estou falando de energia para um próximo passo, para realinhamento de planos, para clarificar decisões. Utilizei nesse texto raiva e tristeza para ilustrar a ideia que apresento a você de procurar mudar o paradigma de emoção ter de se vincular a historinhas que a mente conta. Até porque em geral, a mente produzindo historinhas é que está gerando determinadas emoções por isso é tão fácil vincular emoção a pensamentos. Evite esse vínculo, treine-se. Eu sei que é desafiador eu gostaria de dizer que faço isso com maestria. Não faço! Mas me decidi a exercitar. Isso já oferece um ganho de qualidade de vida suficiente para me animar a continuar exercitando. E como quero compartilhar o que é bom, eu quis compartilhar com você.

Eu quero agora te apresentar um poema de Rumi, que trata desse reconhecimento de valor na emoção, em si mesma, como fator de construção de algo novo que vem após ela, se não a fixamos com os pensamentos.

As melhores ações costumam ser as que são fruto da intuição, que é percebida mais pelos sentidos do que pela racionalização delas. Desfrute o poema, o receba como um presente.

 A CASA dos Hóspedes

O “ser humano” é uma casa de hóspedes.

Cada manhã é uma nova visita.

Uma alegria, uma depressão, uma maldade,

um momento de consciência momentânea aparece

como uma visita inesperada.

Dá-lhes as boas vindas e entretém-os a todos!

Mesmo que seja uma multidão de mágoas,

que violentamente tomam a tua casa vazia de mobília,

mesmo assim, trata honradamente cada hóspede.

Ele pode estar a limpar-te

para que possas receber uma nova alegria.

O pensamento obscuro, a vergonha, a malícia,

recebe-os à porta rindo,

e convida-os para entrarem.

Sê grato por quem quer que entre,

porque cada um foi enviado,

como um guia do além.

Se não for desrespeitoso com o autor fazer algum complemento, eu apenas sugiro que deixe a porta aberta para que seus hóspedes tenham a liberdade para sair após oferecer o que vieram trazer.

 

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