Eu estou sofrendo por amor. Será? – Parte I

Já diziam os Sábios que a dor é inevitável, o sofrimento é opcional. Um término de relacionamento unilateral vai provocar, seguramente, uma dor em que gostaria de mantê-lo. O que se fará com essa dor, depende dos recursos internos que a pessoa tem para lidar com essa situação e dos aprendizados que ela agregou a sua vida pelas experiências.

Sim, eu sei que muitos dos que estão me acompanhando nesse texto agora já sofreram por uma separação não desejada, me incluo nisso. Nós acreditávamos que estávamos sofrendo por amor. Por isso mesmo, por saber como isso é difícil, quero compartilhar sobre como se pode evitar ficar sofrendo indefinidamente e seguir em frente em paz, feliz e pleno.

Precisamos primeiro entender que AMAR não gera sofrimento. Ninguém sofre de “dor de amor”, como somos ensinados e levados a acreditar. A dor que se sente é a da separação de alguém que se ama.

Essa dor pode ser reconhecida, nominada e tem um período de assimilação que chamamos de luto. É quando conscientemente estamos lidando com nossos sentimentos e consolidando nossos aprendizados com a experiência da dor. Quando ele é realizado e concluído saudavelmente, seguimos em frente e o Amor que sentimos pode permanecer em nós ressignificado, sem mágoas ou ressentimentos. Porque a capacidade de Amar é pessoal e continuamos sendo capazes de Amar, a pessoa não levou consigo essa capacidade que é individual.

A dor que se sente por uma separação pode se tornar um sofrimento longo que vai parecer infinito. Sofrimento que  é ativado por sentimentos de rejeição, abandono e outros vinculados a esses. A origem do sofrimento é uma carência que se evidencia pelo gatilho disparado pela dor. Uns vão sofrer mais que outros em situações de separação.

Quando a criança é bem pequena, aprende a amar a si mesma a partir do amor que recebe dos pais e dos adultos significativos que estão a sua volta. Quero dizer, do amor deles ou da percepção que elas  tem desse amor. A criança precisa de carinho, atenção, cuidados, elogios, limites e segurança. Quando recebe isso de forma suficiente, se torna confiante em si, nos outros, na vida. Vai se tornar um adulto que não depende do que está fora para sentir-se inteiro. Isso, dificilmente acontece perfeitamente com alguém. Eu me arrisco a dizer em algum grau, todos conhecemos  algum nível de carência. É comum a criança perceber, por diversas razões, não ser plenamente amada. Ela poderá ter dúvidas por causa dos sinais dúbios que recebe do amor de quem as cuida, mesmo que o cuidador se esmere por fazer o seu melhor. Precisamos lembrar que as crianças, até por volta dos sete anos não desenvolveram sua capacidade de analisar cenários, contextualizar emoções de terceiros e nem mesmo as suas. Elas têm apenas os registros das emoções que são geradas nos eventos de que participam.

O fato de não se sentirem plenamente amadas, sentirem-se  rejeitadas ou terem dúvidas sobre isso, gera nas crianças inseguranças em diversos níveis que vão definir o grau de autoestima que a sua vida adulta vai apresentar. Quando essa segurança no amor não acontece, elas desenvolvem a sensação de que falta algo e não amadurecem uma boa autoestima e autoconfiança.

Falta é carência. O mecanismo infantil para resolver isso é buscar completar o que falta dentro dela em outras pessoas, buscar aprovação e aceitação externa. Toda a formação que recebemos reforça isso. Ela se torna dependente de outros para ter o que precisa em suas emoções. Mais tarde é natural que vá buscar o conforto e a segurança emocional nos relacionamentos afetivos tornando-se dependente emocionalmente. Essa pessoa só se sentirá  feliz e completa quando estiver se relacionando com alguém. O que é ilusório porque junto com a sensação de felicidade estará presente o medo iminente de perder o que está vivendo.

O sofrimento da separação é tanto maior, quanto maior for a carência e mais baixa a autoestima. O sentimento de apego e dependência emocional torna mais intensos os sentimentos de abandono, rejeição, fracasso e  tristeza que o término do relacionamento vai despertar.

Perceba que a separação vai despertar e não causar o sofrimento. Ela vai trazer à tona sentimentos que a pessoa já abriga dentro dela.

O que ocorre é que a carência fica menos evidente quando a pessoa está se relacionando, porque durante o relacionamento as necessidades emocionais estão, momentaneamente, sendo supridas e a pessoa tem a sensação de bem estar. Quando o relacionamento acaba se torna evidente ou vem à  tona, a carência existente.

Quanto maior a carência, mais sofrimento, mais dificuldade em desapegar-se e de seguir em frente.

O sofrimento que parece um amor muito grande, na verdade  uma dependência emocional, uma manifestação da própria carência. O desejo a todo custo de ter de volta o relacionamento, a ideia de trazer o outro novamente para junto de si, tende a ser um desejo infantil de voltar a sentir-se completo à partir de uma fonte externa. Na medida em que o tempo passa e aquele sofrimento se acentua o mais provável é que a pessoa passe a buscar outro relacionamento que supra sua falta para sentir-se melhor e experimentar a sensação de suprimento.

(Para ler a segunda parte do texto, clique aqui!)

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