No Aquário ou no Mar?

Estou em férias em Natal-RN nesses primeiros dias de janeiro. Ontem visitei o Aquário da Cidade. Os Aquários tem um papel social importante, eles colocam pessoas urbanas que visitam cidades litorâneas em contato com a vida marinha, conhecida, em geral, apenas por: filmes, literatura e TV. Eles tem o papel de educar ecologicamente, mesmo os habitantes nativos das regiões litorânes, sobre a importância da preservação.

Entretanto, para mim, particularmente, incomoda os limites do aquário, das gaiolas, dos zoológicos. Desde criança, me ocorria pensar que os animais talvez estivessem mais felizes sem aqueles limites. Então, depois de adulta entendi que muitos deles são salvos de acidentes ou de violências sofridas, são tratados e podem voltar ao seu habitat natural e que outros, nascidos em cativeiros, teriam dificuldade de sobrevivência se libertados. Esses locais são, portanto, muito importantes. Na visita, uma coisa me chamou a atenção e trouxe a reflexão que estou compartilhando com você. O guia do Aquário mostrou algumas espécies que perderam a cor que teriam no seu habitat natural pela falta da luz solar. Um dos peixes era branco e opaco, quando no ambiente natural seria de um alaranjado vibrante.

Quando saímos do Aquário, continuando o passeio e fomos para Genipabú, uma praia muito gostosa. Em minutos saímos dos limites de um aquário para todas as possibilidades oferecidas pelo mar.

Por vezes, mesmo fora dos meus atendimentos, em conversas com pessoas, elas relatam uma insatisfação com seu momento presente, um incômodo, uma coisa chatinha que de alguma forma retira a cor ou o brilho da vida, ou os reduzem. Eu mesma já me senti assim, talvez, você também e quem sabe todos nós em algum momento da vida tivemos essa experiência.

Por isso a minha pergunta inicial: você se sente vivendo no aquário ou mar? Como eu disse acima o aquário tem o papel de proteção, alguns são bem grandes, até confortáveis, a alimentação chega todo dia, tem hora certa, quantidade certa, a sensação é de segurança. E tudo isso que parece tão bom, pode ser limitante, vazio de sentido, sem cor e brilho, sem emoção de dentro para fora. Espera-se pelos eventos externos, um turista que transgrida as recomendações e ofereça um doce ou algo diferente, uma atenção a mais, uma visitação mais intensa, qualquer coisa que permita alguma surpresa. Tudo vindo de fora, já que a segurança do aquário é obtida justamente pela rigidez da rotina.

Viver no mar implica em abrir mão da sensação de segurança, tudo pode acontecer e para tudo precisa haver uma resposta, às vezes, bem rápida para garantir a sobrevivência. Por outro lado, a vivência das inúmeras possibilidades garante uma vida, bem maior do que a sobrevida. Pode haver imprevistos, mas haverá espaço para mudanças, renovação, luz solar, cor, brilho. Pode-se fazer planos, errar, tentar de novo, alterar, acertar, viver.

Quanto alguém pode estar perdendo de tudo que a vida pode oferecer por limitar-se ao quadradinho, aparentemente seguro? Todos os dias o necessário para sobreviver. Não me refiro apenas a coisas concretas. Quanto de amor alguém retém por medo de uma entrega que o faça sofrer? Será? E quanto se perdeu por não viver a experiência de amor ofertado, simplesmente. Quanto de sorrisos economizados, de abraços não dados, de gentilezas não praticadas ou limitadas.

A vida humana tem várias dimensões. Podemos estar com algumas delas restritas a espaços conhecidos, ainda que limitados, para viver. Em geral as pessoas limitam-se por medo. O medo faz com que se busque situações consideradas seguras. O medo é o maior motivo para nos colocarmos em aquários, em gaiolas, em zoológicos (condomínios de gaiolas). As pessoas se agrupam em segmentos para proteção, acabam achando que seu segmento é melhor que o de outros e pior, que ele é tudo. Perde-se a visão das possibilidades, perde-se o contato com o Amor. O medo e o amor não habitam o mesmo espaço. Deus é Amor, esse amor representa o ilimitado, a abundância, a plenitude. O medo perdeu de vista esse aspecto da vida, o transcender-se. Então, ele encolhe as pessoas e, por vezes, as paralisa.

Não alimente justificativas do tipo: “isso é bonito no papel, nas palavras, mas a vida não é assim”, “isso não é pra mim”, “estou bem como estou”, “sempre vivi assim e tudo deu certo”, “é papo de psicoterapeuta”, e por aí vai. A vida é sua e ela sempre pode ser melhor. Um erro, um tropeço que gera um ferimento tem como consequência uma aprendizado, uma história para contar, uma nova ideia para fazer diferente. A jornada está sendo construída e isso é o mais importante. A vida está nela!

Sair da zona de conforto, provoca o medo, traz desconforto, desorganiza bastante antes de gerar uma nova organização, uma nova experiência e, consequentemente uma evolução do estado original. Porém, no mínimo, gera um nível de energia que faz a vida ter outras cores e brilhos e produzir novos resultados. E aí? Aquário ou Mar?

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