Os Novos Cinquenta

Estou próxima de iniciar uma outra etapa da minha vida. A etapa, aposentadoria do serviço público. Venho me preparando para isso há muitos anos. Mas começar uma nova etapa da vida é uma coisa comum para mim. Iniciei e conclui vários ciclos na minha vida até aqui, afinal já são pouco mais de cinquenta anos. Meu psicanalista uma vez me disse uma frase que eu nunca esqueci: “você é uma mulher de rupturas”. Pode parecer dramático, mas respire! Não é. Estávamos conversando sobre ter chegado o momento de fazer o fechamento de um ciclo que já tinha cumprido seu papel no meu desenvolvimento, era, portanto, hora de fechá-lo. Foi a conclusão a que eu cheguei e a manifestação dele, um querido amigo hoje em dia, era pertinente. Ele me acompanhou iniciar e fechar muitos ciclos.

Eu sou da geração dos Novos Cinquenta, como eu gosto de dizer. Somos mulheres e homens que estão experimentando uma nova forma, em relação as gerações anteriores, de viver essa fase da vida.

Não se engane imaginando que ao me aposentar, até aqui tenho 34 (trinta e quatro anos de atividade profissional), tenho a intenção de descansar, descansar e descansar. Claro que eu quero fazer isso também, mas a minha maneira de descansar tem a ver com me dedicar a aplicar mudanças no meu cotidiano sem o compromisso de um formato fixo e rígido como a de um trabalho formal. Meu espírito é livre e inquieto.

Não espero e nem tenho a intenção de sugerir a ninguém fazer as coisas que faço e que pretendo fazer, mas quero compartilhar essas coisas com você que tem em comum comigo essa faixa etária, apenas como uma referência do que é possível.

Enquanto aguardo meu tempo de deixar a empresa na qual trabalho, porque essa decisão está dentro de um planejamento, eu tenho outra atividade profissional, isso há 15 anos. Fiz carreiras paralelas e desde o início sabia que a carreira na área do desenvolvimento pessoal estaria presente na minha vida enquanto eu tiver fôlego para exercê-la. Posso aplicar-me a ela de várias formas, que é o que eu faço através: do Blog, do Site, das redes sociais, do canal no youtube, do atendimento psicoterapêutico, do atendimento como Coach.

Estou me dedicando a desenvolver alguns projetos digitais para poder me dedicar ao prazer que sinto em conhecer novos lugares, ao prazer de viajar, ao prazer de estar mais tempo com meus filhos e com pessoas que eu amo, ao prazer de estar comigo mesma em atividades mais individuais como ler, contemplar a natureza e a vida por mais tempo do que faço hoje. Tenho a expectativa de ser avó e desfrutar dessa fase tão bonita de renovação.

Eu quero me permitir continuar produtiva, sem estar limitada a determinados compromissos. Claro que os atuais são fruto de escolhas e tem seus custos e benefícios, como tudo. Estou contente com elas.

Assim como eu, tenho visto muitas pessoas executando seu planejamento ou vivenciando experiências parecidas decorrentes de projetos nesse sentido. Muitas, não tem interesse numa atuação profissional pós-aposentadoria, mas tem rotinas interessantes que envolvem viagens, amigos, passeios, cuidados com a saúde integral, um novo interesse na área acadêmica ou uma atividade voluntária.

No meu círculo de convivência não tenho ouvido ninguém se queixando de falta do que fazer para ocupar sua existência. Mas é claro que tenho conhecimento de histórias tristes e difíceis com um outro cenário, nada bonito.

O que eu quero dizer é que o cenário não tem a ver com a faixa etária. O cenário é fruto da história individual de cada um. Tudo é fruto de uma construção. É sempre possível reconstruir. Iniciar e fechar ciclos, como comecei dizendo. A mensagem aqui é, a todo momento nossa vida está acontecendo, vamos fazer com que os acontecimentos vindouros nos sejam favoráveis. Começamos isso aproveitando e agradecendo o que temos no aqui e agora. Estando presentes na nossa vida, hoje. O passado não volta e o futuro não existe ainda.

Quando eu era adolescente ouvi um palestrante dizer: viver é uma realidade tão inexorável como a certeza de morrer. Não sabemos se vamos viver até os 90 anos, mas essa é uma decisão que não nos cabe, o que podemos fazer é viver como se fôssemos chegar até lá. O que significa ter responsabilidade com o agora.

Aquilo me impactou e eu gostaria que, independente da idade que você tem, isso também o impactasse.

Viver o presente, entregar-se ao agora, é importante. Fazer planos e traçar metas, decidir sobre o futuro que você quer ter é parte do presente. É a sua construção. Nada garante que você chegue aos 90, mas e se você chegar? Como vai querer estar?

De qualquer forma eu tenho uma boa notícia, se você estiver fazendo agora o que te dá prazer e quando faz o que não é exatamente prazeroso você sabe porque está fazendo aquilo, qual é o sentido e qual o resultado vai lhe dar, você estará bem, se sentirá feliz. Essa é a beleza da jornada. Isso tem um valor real e concreto. Quanto mais você viver, estará no lucro. Terá histórias para contar, aprendizados para compartilhar, amor para amar, e vontade de continuar aprendendo porque tudo muda o tempo todo, o nosso tempo é agora e, se não for você a cuidar da sua vida, quem?

 

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