Redescobrindo a sua DIGNIDADE

Falei, recentemente, sobre três grandes dores humanas: abandono, rejeição e humilhação. E sugeri com muita ênfase como caminho para gerar uma mudança interna, o autoconhecimento de uma maneira mais profunda.

Quero nesse texto te dar uma perspectiva, que pode não ser a mais comum, mas que pode oferecer uma reflexão capaz de gerar uma transformação.

Transformação, é um resultado possível através dos processos de desenvolvimento pessoal e de saúde emocional.

Os sentimentos citados acima estão relacionados a feridas muito antigas que macularam a autoestima das pessoas. Essas feridas impressas profundamente fazem com que uma pessoa atue, mesmo que inconscientemente, de forma a reviver essas dores, atualizando-as no seu cotidiano sob diversas formas, que confundem a pessoa por serem diferentes, entretanto, com consequências muito semelhantes.

É mais comum ouvirmos dizer, e é verdade, que precisamos aprender individualmente, todos nós, a nos amar. Esclareço que esse amar não está relacionado com um sentimento propriamente, mas ao cuidado de si que é uma questão ampla.

Na minha experiência, quando se diz que é preciso amar-se, várias coisas podem ser compreendidas, por pessoas diferentes, dado a enorme variedade de conotação que a palavra “amor” gera.

Eu quero trazer uma orientação que talvez seja menos abstrata e ajude-nos a nivelar sobre o que estamos falando.

Alguém que passou por aquelas experiências nos seus relacionamentos e elas tiveram uma intensidade suficiente para causar danos, tem o desejo de encontrar: aceitação, acolhimento e valorização. Ela segue buscando essas coisas fora de si mesma porque isso lhe foi negado na sua constituição, ou foi assim que a criança interpretou. Ela não encontra referências em si mesma que permitam-na nutrir-se com essas convicções pessoais.

Então, quando ela ouve de alguém a recomendação: “você precisa se amar!” Essa orientação pode cair num lugar vazio e não encontrar ressonância interna. Do ponto de vista racional vai fazer sentido, mas difícil de ser uma mensagem internalizada.

Minha sugestão aqui para trazer mais condição dessa mensagem chegar a alguém é: substitua o amar a si mesmo por reconhecer-se digno. DIGNIDADE, talvez seja uma palavra que faça mais sentido.

Comece a reconstruir sua autoestima, sentindo-se DIGNO. Vamos a um exemplo mais prático, há pessoas que experimentaram o sentimento de rejeição por serem fruto de uma gravidez não desejada ou por tentativas de aborto que não funcionaram. Um caminho para começar a mover essa pessoa numa direção mais saudável é ajudá-la a reconhecer valor da sua existência. Isso por si só, já expressa que ela é digna.

É digna de viver, digna de existir. Diante de possibilidades infinitas, que nós desconhecemos quase que totalmente, a grande Instância de Sabedoria Divina entendeu que era aqui que aquela pessoa deveria estar. Ela foi considerada digna de expressar a divindade na sua experiência por aqui.

Logo, eu e você somos dignos porque faz parte de nós constitutivamente os sentimentos de amor, de aceitação e de acolhimento. Não precisa vir de fora, está ao alcance de qualquer um acessar esses sentimentos dentro de si. E por que parece tão difícil para alguns? Por causa das diversas camadas que vão se formando sobre a pessoa de acordo com suas experiências e suas percepções na trajetória de vida. Quando a personalidade se forma começa-se a criar etiquetas para definição de quem se é e de como está configurado. Aí são formadas as crenças, muitas vezes disfuncionais, que definem uma forma de sentir e ver a vida muito limitada.

Se é o seu caso, eu te convido: comece a considerar-se digno, concentre-se em acessar isso em você. Digno: de amar e ser amado, digno de ser aceito, digno de respeito, digno de carinho, digno de ser reconhecido e visto na sua essência, ser visto profundamente pelas pessoas que julga significativas. Perca o medo de mostrar-se francamente com suas virtudes e fragilidades temendo a rejeição.

Se for mais fácil do que usar a palavra amor, repita para si, “eu, sou digno(a). Eu tenho dignidade. Eu tenho um lugar no mundo, eu tenho a mim mesmo, eu sou capaz de cuidar de mim mesmo, a me oferecer o que desejo e que me coloca em contato com a minha existência e com o valor dela.”

Sinta-se digno!

Dignidade parece ter mais concretude do que a palavra amor, por muita banalização e distorções que a palavra sofreu.

Sentindo-se digna, a pessoa terá mais forças para enfrentar as negativa naturais da vida. Não vai mais se colocar em situações de desigualdade para reforçar suas crenças limitantes, porque o inconsciente vai receber outras impressões. Impressões atualizadas.  E vai reconhecer-se existindo, mesmo que não esteja sendo vista por alguns a sua volta ou rejeitada por outros. Ela vai aprendendo a blindar-se e compreender que tudo é uma questão de ponto de vista, de momentos diferentes entre pessoas, de localização do observador e de distinções desenvolvidas.

Respire profundamente, saia do lugar de vitimização e de repetições sobre quanto você sofreu ou sofre. Acima deles, vá fortalecendo em você a sua dignidade. Ela já está em você. Pode ter sido encoberta pelas camadas que citei acima, mas estão aí! Dentro de você.

Recupere-a, reencontre-a. Será uma bela maneira de começar uma nova etapa de vida.

Isso que estamos tratando aqui, juntos, não é simplesmente uma autoajuda, e não estou desmerecendo a autoajuda, ela é o que o nome indica, uma ajuda as pessoas. Apenas, a autoajuda não se propõe a explicar as coisas com profundidade, traz alguns ensinamentos já elaborados. Então, ainda que eu não tenha espaço suficiente para tratar cientificamente o que estou propondo, eu também não quero que você comece a elaborar dúvidas sobre isso e usa-las como desculpa para evitar experimentar. Nossa capacidade cerebral é plástica. Podemos aprender, desaprender, criar e consolidar novos caminhos neurais, fortalecendo-os.  Pense em si mesmo como uma pessoa DIGNA. Quando aqueles sentimentos nocivos forem provocados através de situações, mantenha seu foco na sua dignidade. Respire e sinta. Sentir-se digno é a chave para alterar a força dos sentimentos disfuncionais (aqueles que não colaboram com o seu bem) gerados por pensamentos que estão sendo alimentados ou evidenciados em algum momento. Deixe que os pensamentos passem, enquanto se concentra em respirar e entrar em contato com a sua dignidade.

Se o que tratamos aqui faz sentido para você, me faça saber disso. Comente o texto, expresse sua opinião, questione. Meu objetivo é apresentar um ponto de vista que possa fazer alguém refletir e agir na direção sugerida e possibilitar que ela mesma tenha a sua experiência.

Carinhoso abraço!

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