Ser ou não, amiga do Ex?

Com algumas perguntas que eu recebo através de e-mails e através do in box no Face eu preciso pensar antes de responder num vídeo ou num texto para que a resposta seja útil ao maior número de pessoas possível que tenham aquela mesma dúvida. Preciso tornar uma situação pessoal o mais universal que eu puder para atender muitas pessoas que estejam vivenciando uma situação parecida.

Não é o caso dessa pergunta que eu recebi. A resposta é evidente, clara e para qualquer contexto será válida. Vamos a ela!

Quando essa pergunta surge, a resposta está parcialmente dada. Precisa apenas ser ampliada e compreendida.

Amizades tem o objetivo de fazer bem as pessoas envolvidas. Amizade é leve, é espontânea, é verdadeira, é acolhedora e dura enquanto estes componentes estiverem presentes para ambos os envolvidos. Então, em geral quando alguém faz essa pergunta relacionada com o ex-namorado(a), é porque alguma coisa está fora de sintonia, algo está pesando, algo não está bem.

Se manter a amizade com o ex trouxesse apenas as coisas boas de uma amizade a pergunta não faria sentido.

Vejamos o que pode estar sendo perturbador e gerou a dúvida e a pergunta.

Quando você ama uma pessoa e quer estar com ela e estão namorando e a outra pessoa percebeu que a relação com você não é o que ela quer e ela terminou e vocês decidem ficar amigos, você precisa estar atenta ao que está acontecendo com você. Vale para homens e mulheres, vou me concentrar nas mulheres porque é mais comum acontecer com elas.

Nós mulheres aprendemos que devemos ser boazinhas, que devemos acatar decisões dos outros, que isso é educado, que isso é virtuoso. Se essa mulher ainda por cima viveu situações na sua vida de percepções de desamparo, de não aceitação e abandono e coisas do tipo, vai tender a sentir-se responsável pelo desinteresse do outro em namorá-la e vai sentir que deve aceitar aquilo que ele pode oferecer, que é aquilo mesmo que ela merece. Ela vai tentar manter aquela pessoa, que ela valoriza muito, por perto e receber qualquer migalha que lhe for oferecida para o outro permanecer em alguma medida na vida dela, para o outro não se afastar completamente. Não estou dizendo que uma amizade seja migalha, estou dizendo que para quem quer uma relação a dois a amizade não será suficiente do ponto de vista emocional.

Se o que você está fazendo para manter a amizade tiver o sentido de: “por favor, pelo amor de Deus, não saia da minha vida.” Você está com problemas e precisa cuidar disso. Sua racionalidade vai lhe oferecer muitos motivos válidos para manter essa amizade. A voz racional se faz mais ouvida dentro de nós. É preciso alguma maturidade para perceber se aquele apelo está  acontecendo discretamente lá dentro, você precisa estar familiarizada ou começar a se familiarizar com o olhar para dentro de si e escutar-se.

Se ao final de cada encontro que você tem com esse “amigo” você sai pensando como desejaria acariciar aquela pele, fazer carinho nos cabelos, beijar o rosto e mergulhar num beijo delicioso naquela boca que esteve tão perto, mas está infinitamente longe de você, você está sofrendo. Se a cada encontro, sempre tão bacana, você sente que não entende porque para você, vocês são tão bons juntos e para a outra pessoa é tão oposto, você está sofrendo. Se você fica pensando que poderia ficar ouvindo para sempre aquela voz, conversando com você, você está sofrendo. Se você fica pensando no quanto desejaria ter uma vida ao lado dele, você está sofrendo. E por que?

A resposta é dura, mas é preciso que você pense nisso e sinta o quanto faz sentido para você.

O que pode estar acontecendo no mais profundo do seu interior é algo que a leva para o seguinte pensamento: “Ah, eu só posso ter dessa pessoa a amizade, então tenho que aceitar isso. É o que eu mereço e ele está sendo muito bacana em me oferecer. Não sou boa para namorar, mas ele aceita a minha amizade, tenho que ser grata”.

Por favor, pare!  Saia dessa situação, deixe de se machucar, deixe de se desprestigiar, respeite-se!  Mais uma vez, tenho dito isso em outros textos, não vamos analisar o outro. Qualquer pessoa gosta de ser bem tratada, respeitada, valorizada. O outro está apenas desfrutando do que você está se empenhando em oferecer. A questão aqui não é o outro é VOCÊ que eu quero ajudar.

O que você está querendo do seu “amigo”? Provavelmente, atenção, carinho, valorização, quer que ele a respeite como mulher, mas você não está se oferecendo essas coisas, está na dependência das migalhas de afeto e atenção. O outro não vai te dar o que você espera, o rompimento já deixou isso claro. Você está se colocando na posição do “fazer o que? eu vou ficar aqui na posição da menina bonitinha, comportadinha e educada, quem sabe ele me vê de outra forma e muda de ideia”. Não vai mudar! Porque energeticamente ele vai sentir o quanto de coitadinha tem em você e isso vai mantê-lo longe ou perto o suficiente para que você alimente alguma vaidade ou carência dele, também é possível. Mas não haverá valorização.

Veja, esse relacionamento amigável está te ferindo e te machucando. Chega disso, não se imponha sofrimento.

Chega de apego, fique à partir de agora do seu lado. Decida-se por você.  Deixe de esperar, esperar te imobiliza, faz você refém de circunstâncias externas sob as quais você não tem o que fazer. Aja em seu favor, respeite-se! Dê-se atenção, dê-se carinho, dê-se valor, dê-se cuidado. Afastar-se do que a machuca é um cuidado, preservar-se é um cuidado. Pode ser difícil tomar a decisão e afastar-se, mas será necessário.

Quero sugerir o seguinte exercício para colaborar de uma maneira bem prática com o seu bem estar. Pegue uma folha de papel e divida em três colunas. Na primeira escreva aquilo que obteve no seu namoro e foi bom para você. Na segunda coluna o que não recebeu e sentiu falta e na terceira escreva o que vai começar a oferecer a si mesma, sem necessidade de esperar que outra pessoa lhe ofereça. Exemplo: Recebi atenção. Não recebi valorização. Vou me oferecer atenção e valorização. Ao final concentre-se apenas na última coluna. Relacione em um outro lembrete as coisas que você vai lembrar de oferecer a si mesma no seu cotidiano.

É um exercício simples que pode lhe colocar consciente de coisas que você mesma pode e deve oferecer-se. Estando em você, naturalmente poderá oferecer aos outros eestará energeticamente criando a possibilidade de se conectar com pessoas que vão também ser capazes de retribuir essa mesma energia.

Sucesso e  fique bem!

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